Então pensei que estava finalmente livre, e foi assim que reapareceram os velhos conflitos. Aqueles monstros que a gente guarda no armário, que volta e meia vem nos lembrar das coisas que esquecemos para criar a ilusão de que ficaram para trás. Você fica calejado depois de um certo tempo e é como se nada disso importasse, me sentia melhor assim, a felicidade, como se entende por ai é quase que um desligamento emocional completo, se alienar de todas as coisas ruins, para que quando os monstros por fim aparecerem você poder dizer “vai em frente, eu já cansei de seus truques, solte o seu melhor golpe, eu agüento”.
E é essa a maior piada, como se o universo estivesse rindo de você. Nada mais do que uma brincadeira de mal gosto, mas agora eu posso relaxar com uma cerveja gelada na mão e rir alto disso tudo, por que você se torna quase imune, e você pensa em todas as noites em que teve o privilégio de levar uma bela mulher às loucuras do prazer, isso certamente gera uma sensação de conforto, e eu posso sentir um pequeno sorriso se formando em meus lábios, depois começa a gargalhar quando percebe o quão perto essas mulheres estiveram de me levar à loucura.
Claro que esse pensamento sai voando pela janela, por que você já sabe que não faz muito sentido ficar questionando sua própria sanidade.
Ao invés disso, penso no jogo psicológico dos relacionamentos amorosos, como é interessante observar o comportamento humano, o quão fascinante são os mecanismos dos quais as pessoas lançam mão. As mulheres e sua atração inexplicável. Intrigantes, misteriosas e de forma alguma domesticáveis. Essas adoráveis criaturas selvagens. Que vêm e vão, e o enorme prazer de tê-las nem que por um momento efêmero é o que nos motiva dia após dia.

Embora houvesse parado de fumar a mais de um anos as paredes da minha casa ainda estavam amareladas pela nicotina. Nos dias de abstinência costumava imaginar se eu conseguiria raspar as paredes e fuma-las num cachimbo. Decidi que não precisaria chegar isso, comprei uma maço só em caso de eu sentir muita vontade. Ainda está na gaveta, fechado a mais de um ano.





